A
formação do sujeito é resultado das relações estabelecidas por
este com os sujeitos significativos que o cercam desde seu
nascimento. Os outros significativos são os sujeitos que se
encarregam da socialização do indivíduo, e são impostos a ele
pela vida, pessoas como os pais, familiares, parentes, professores.
Desta
forma, o mundo social é filtrado de acordo com a posição social e
com as peculiaridades individuais de cada outro significativo.
A
presença do outro é fundamental para a internalização da
linguagem e das normas sociais pela criança. Esta vão garantir a
inter-relação do sujeito com seu ambiente social. A linguagem
amplia as possibilidades de enriquecimento das relações sociais e a
capacidade de controle entre os seres humanos e destes sobre a
natureza.
A
partir da formação do outro generalizado, a linguagem é
interiorizada juntamente com a sociedade, a identidade e a realidade
já que estas estão todas intimamente relacionadas.
Para
percebermos melhor o desenvolvimento da criança e de suas relações
com o mundo, podemos partir da divisão feita por Sant'Aana deste
desenvolvimento considerando três fases: fase preparatória, fase de
brincadeira e a fase do jogo.
Na
fase preparatória percebe-se a iniciação da comunicação gestual.
É nesta fase que se inicia a preparação para o processo social.
Percebe-se aqui, uma adaptação recíproca. Nesta fase, o self
encontra-se no processo inicial de desenvolvimento. Ainda não existe
consciência simbólica.
Já
na fase da brincadeira, a criança já tem condições de se colocar
no lugar do outro. É aqui que o processo de construção de
personalidade a partir do outro significativo vai ser mais visível,
já que esta formação tem por base a condensação de
personalidades vivenciadas.
Ainda
aqui, o self não se encontra completamente estruturado, mas a
presença da linguagem falada vai ampliar esta estrutura a partir da
ampliação das inter-relações estabelecidas pelas crianças com
outras crianças e com os adultos.
Quando
a criança já tem possibilidades de estabelecer jogos com regras ela
já consegue antecipar problemas futuros e prever as atitudes do
outro frente a sua próprias atitudes. Nesta fase, o self já está
se capacitando para assumir alternativas presentes para a “escolha”
de sua própria alternativa.
Para
Mead, o jogo e a brincadeira são fundamentais na formação humana
por serem simulações do real diferenciando-se deste apenas pelas
suas finalidades.
Isto
porque as situações concretas vividas em relação com o outro
generalizado é o que vai permitir a formação da personalidade
enquanto todo abstrato e abrangente. O self enquanto agente
organizador das experiencias do indivíduo que engloba aspectos
cognitivos e conscientes é a parte reflexiva do sujeito.
A
socialização primária cria na consciência da criança uma
abstração progressiva dos papéis e atitudes dos outros,
particularidades para os papéis e atitudes em geral.
Esta
abstração dos papéis e atitudes dos outros significativos
concretos são chamadas o outro generalizado. Sua formação na
consciência significa que o individuo identifica-se agora não
somente com os outros concretos mas com a generalidade de outros,
isto é, com a sociedade. Somente em virtude desta generalização a
identidade do indivíduo adquire estabilidade e continuidade.
O
individuo tem agora não somente uma identidade em face deste ou
daquele outro significativo, mas uma identidade em geral,
subjetivamente apreendida como constante, não importando que outros,
significativos ou não, sejam encontrados. Esta identidade,
recentemente coerente, incorpora em si todos os vários papéis e
atitudes interiorizados.
A
formação na consciência do outro generalizado marca uma fase
decisiva na socialização. Implica a interiorização da sociedade
e, ao mesmo tempo, o estabelecimento subjetivo de uma identidade
coerente e contínua.
A
sociedade, a identidade e a realidade cristalizam-se juntamente com a
internalização da linguagem.
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