Existe uma ideia bastante comum de que na infância a pessoa tem a experiência de um trauma - que causa uma marca para a vida toda. A psicologia, então, ajudaria na superação deste trauma.
Na verdade, não é bem assim! Neste texto você vai saber mais sobre o surgimento da infância - pois a ideia de infância não existia até bem pouco tempo atrás - e também como surgiu o conceito de trauma na infância e como a psicanalise e a psicologia trabalha esta questão atualmente.
O
livro mostra historicamente a constituição da família desde o
século XV até o século XVIII e o papel da escola e do “conceito”
de infância neste processo.
Na
Inglaterra da Idade Média as crianças eram mandadas para a casa de
outras pessoas para trabalharem com a idade de sete anos e eram
chamadas aprendizes. Este tratamento acontecia em todas as famílias
não importando a fortuna, ao mesmo tempo em que mandavam suas
crianças para outras casas, recebiam meninos ou meninas nas suas.
Provavelmente,
este gênero de vida foi comum ao Ocidente medieval, onde a
aprendizagem se confundia com o serviço doméstico. A criança
aprendia pela prática, não somente os conhecimentos do mestre que a
recebia mas também os valores morais.
Como
a transmissão do “conhecimento” era de maneira prática e de uma
geração para outra não havai lugar para a escola. Deste
modo, a criança participava integralmente na vida dos adultos. Não
havia a segregação das crianças, como posteriormente aconteceria.
Em outras palavras, não havia a noção que temos hoje de infância. Uma criança era um pequeno adulto, um adulto pequeno e tratado como tal.
Em outras palavras, não havia a noção que temos hoje de infância. Uma criança era um pequeno adulto, um adulto pequeno e tratado como tal.
A
família não podia nesta época alimentar um sentimento
existencial profundo entre pais e filhos, era uma realidade moral e
social mais do que sentimental.
A
partir do século XV, essa realidade começou a se transformar,
lentamente, com a extensão da frequencia escolar. Dessa época em
diante, a educação passou a ser fornecida mais pela escola.
As
famílias ao mesmo tempo, não queriam mais se separar de seus bebes
e começaram a trazer amas-de-leite até as suas casas. Assim, as
crianças cresciam e aprendiam a civilidade através do contato com
suas famílias.
A
palavra “civil” era quase sinônimo de nosso “social”
moderno. Existiam, no século XVI até o século XVIII umaliteratura sobre civilidade, os tratados ou manuais de cortesia, nos
quais as pessoas aprendiam como se comportar em sociedade.
A
escola durante este período foi se desenvolvendo e a infância se
particularizando.
Na
segunda metade do século XVII a família já está organizada em
torno das crianças. A primeira família moderna foi a de homens
ricos e importantes. Contudo, havia ainda uma grande socialização,
não se tendo espaço para a criação de uma maior intimidade.
Até
o século XVII a densidade social proibia o isolamento. Somento no
século XVIII a família começou a manter à sociedade à distância.
A organização das casas passou a corresponder a essa nova
preocupação contra o mundo. A independencia dos cômodos e o
conforto surgiu junto da intimidade, do isolamento, da discrição.
A
especialização dos cômodos, nas familias da nobreza e da burguesia
foi uma das maiores mudanças na vida cotidiana das pessoas. Ou seja, até bem pouco tempo atrás não existiam quartos individuais - todos conviviam no mesmo espaço. Além disso, a casa era uma extensão da rua e estava sempre aberta para os vizinhos.
A partir do século XVIII, começou-se
a se seperar a vida mundana, a vida profissional e a vida privada, e
surgiu um novo código de boas maneiras que recebeu o nome de
polidez, que obrigava à descrição e ao respeito pela intimidade
alheia.
A
criança tornou-se um elemento indispensável da vida quotidiana e os
adultos passaram a se preocupar com sua educação, carreira e
futuro.
À
medida em que as transformações na sociedade modificaram a escola,
a aprendizagem, os costumes, as relações da criança com a família
e da famílica com esta constituiram um importante fator no
surgimento da família moderna.
Traumas de Infância
Nos últimos séculos, portanto, o modo como as pessoas tratavam as crianças começou a ser modificado. A infância como a entendemos hoje foi surgindo também com a criação das escolas fundamentais e obrigatórias - inicialmente uma exigência dos protestantes que desejavam que as pessoas pudessem ler a Bíblia sem o intermédio dos padres.
Sigmund Freud elaborou logo no começo de sua carreira como psicanalista o conceito de trauma na infância. De acordo com suas pesquisas iniciais, o adulto neurótico - com problemas e sintomas psíquicos - teria passado por um ou mais eventos traumáticos na primeira infância.
Estes eventos estavam já relacionados à ideia do Complexo de Édipo.
Porém, depois de pesquisar mais, Freud percebeu que na verdade, não haviam estas traumas. Ou ainda melhor, experiências ruins podiam até acontecer - mas o que mais importava para o surgimento da neurose era a fantasia inconsciente do paciente.
Em outras palavras, o trauma perdeu importância como o causador do problema. O problema, então, não seria mais o trauma (o evento que aconteceu no passado) mas a fantasia inconsciente do passado.
Com isso, a psicanalise não trabalha mais hoje com a ideia de trauma e solução do trauma. Os psicanalistas trabalham com a ideia de sintoma e fantasia (ou fantasma) inconsciente.
Chegar à fantasia inconsciente que é a origem dos sintomas - é o que permite ao paciente libertar-se de seu sofrimento.
Traumas de Infância
Nos últimos séculos, portanto, o modo como as pessoas tratavam as crianças começou a ser modificado. A infância como a entendemos hoje foi surgindo também com a criação das escolas fundamentais e obrigatórias - inicialmente uma exigência dos protestantes que desejavam que as pessoas pudessem ler a Bíblia sem o intermédio dos padres.
Sigmund Freud elaborou logo no começo de sua carreira como psicanalista o conceito de trauma na infância. De acordo com suas pesquisas iniciais, o adulto neurótico - com problemas e sintomas psíquicos - teria passado por um ou mais eventos traumáticos na primeira infância.
Estes eventos estavam já relacionados à ideia do Complexo de Édipo.
Porém, depois de pesquisar mais, Freud percebeu que na verdade, não haviam estas traumas. Ou ainda melhor, experiências ruins podiam até acontecer - mas o que mais importava para o surgimento da neurose era a fantasia inconsciente do paciente.
Em outras palavras, o trauma perdeu importância como o causador do problema. O problema, então, não seria mais o trauma (o evento que aconteceu no passado) mas a fantasia inconsciente do passado.
Com isso, a psicanalise não trabalha mais hoje com a ideia de trauma e solução do trauma. Os psicanalistas trabalham com a ideia de sintoma e fantasia (ou fantasma) inconsciente.
Chegar à fantasia inconsciente que é a origem dos sintomas - é o que permite ao paciente libertar-se de seu sofrimento.

Parabens.!!! Excelente abordagem.
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