Veja também: Timidez e Psicologia
Qual
é a diferença entre a alegria e a felicidade? A paz e a
tranquilidade? A raiva e o ódio? O medo e a adrenalina? Todos podem
imaginar as diferenças, mas para o comportamentalismo ou
behaviorismo temos que pensar na diferença entre as emoções, a
partir do comportamento externo – ou seja – o que sentimos a
partir do que fazemos.
O
comportamentalismo é, obviamente, uma perspectiva da psicologia que
tem o seu olhar voltado mais para fora (extroversão) do que para
dentro (introversão). Por isso, é interessante eles olharem as
emoções humanas a partir de fora, a partir da ação, e não a
partir de dentro, dos órgãos internos ao organismo.
Existe
uma dificuldade clara para o estudo da psicologia – como estudar as
emoções? Como estudar emoções que estão escondidas no interior
do corpo, ou, talvez, dentro da psique (da alma)?
Por
isso mesmo, o comportamentalismo teoriza a respeito das emoções a
partir do comportamento, do que vemos.
Para
ficar bem fácil de entender, vamos imaginar uma cena.
Um
sujeito que se considera tímido precisa fazer a apresentação de
sua vida. Ele sente, minutos antes da apresentação, algumas
sensações diferentes em seu corpo. Adrenalina? Medo? Entusiasmo?
Ele
poderia classificar as sensações dentro do seu corpo. Poderia dizer
que sente uma adrenalina incrível como se estivesse dentro de uma
montanha russa. Que sente medo como se tivesse visto um fantasma.
Entusiasmado como se tivesse ganhado na loteria...
As
pessoas que estão vendo a apresentação também poderiam dizer uma
série de coisas. Como se ele se comportou durante o tempo da
apresentação?
Dizemos
que o medo é a fuga, a coragem é o enfrentamento. Dizemos que ele
teve coragem se olhou nos olhos do público, se falou com firmeza, se
sua voz não se apresentou trêmula ou se suas mãos não estavam
tremendo ao segurar um papel ou tablet.
Perceberam
que o público faz a avaliação a partir do comportamento do
sujeito? Se ele faz uma coisa, é classificado desta forma, se faz
outra coisa é classificado de outra. Ou seja, as emoções que
dizemos que o outro está sentindo são classificadas a partir do
comportamento, do que é visível e observável.
Não
temos como medir o número de batimentos cardíacos ou o suor nas
mãos ou o rubor na face. E mesmo se tivéssemos instrumentos para
medir as sensações experimentadas internamente pelo sujeito, não
conseguiríamos fazer nenhuma distinção entre sentimentos que para
nós são bem fáceis de dizer a diferença.
Se
tivéssemos instrumentos ou aparelhos para medir, não poderíamos
dizer se o coração acelerou porque ele estava com medo ou porque
ele estava entusiasmado ou porque ele estava com adrenalina – uma
sensação agradável. Entenderam?
Uma
mudança na sensação interna do corpo não quer dizer
necessariamente uma emoção. Nós classificamos as emoções a
partir do externo, a partir do comportamento – e, mesmo assim, em
uma público de 20, 30 pessoas, cada um diria uma coisa da
apresentação do sujeito que se considera tímido.
Uma
técnica muito importante para quem quer desenvolver comportamentos
mais desinibidos em público, é justamente não se importar com a
reação do público. O que o público faz ou deixa de fazer não
deve interferir no comportamento de quem está fazendo a
apresentação.
Lembro de uma história que ouvi há um tempo atrás. Em uma apresentação pública, o palestrante observou um sujeito inquieto, que ficava se contorcendo e remexendo na cadeira, com uma cara de desgosto, como se estivesse achando a apresentação muito ruim.
Mas
ele continuou passando sua mensagem. Afinal, estava lá para passar
algumas informações para o público, não para ser avaliado por
ninguém. A palestra acabou e o sujeito que se contorcia na cadeira,
com cara de poucos amigos, foi falar com o palestrante. A primeira
coisa que ele disse foi: - “Ótima palestra! Uma das melhores que
já vi! O problema foi que não estou me sentindo bem, precisava ir
ao banheiro, mas fiquei aqui para não perder nenhum minuto!”
Moral
da história: o que vemos do comportamento dos outros e o que os
outros veem do nosso comportamento nem sempre corresponde à emoção
exata.
Com
isso, devemos deixar de pensar no que o outro está pensando, e
passar sempre que possível a nossa mensagem.

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