Karen Horney (1885 – 1952) concluiu sua formação psicanalítica em 1919, em Berlim. Desde tal data publicou numerosos artigos, principalmente sobre a personalidade feminina, demonstrando sempre sua discordância com alguns conceitos teóricos de Freud. Alguns pensadores chegam a dizer que sua obra apresenta mais diferenças e críticas à obra de Freud do que semelhanças, o que poderia afastá-la da psicanálise. Mas essas proposições por parte dos críticos são geralmente consideradas exageradas: sua obra é inserida dentro do que ficou convencionado de os pós-freudianos culturalistas.
Em 1932, Karen Horney mudou-se para os EUA e em 1934 rompe com a instituição psicanalítica de modo definitivo, fundando neste ano seu próprio centro, o Instituto Americano de Psicanálise. Sua teoria discorda da psicanalise por sua preponderância nos fatores sexuais. Ela criticou a validade da teoria edipiana, descartando o conceito de libido e o modo como Freud concebeu a personalidade humana.
O principal conceito de Karen Horney é a ansiedade básica, que surge quando a criança sente estar vivendo num mundo hostil, que a desampara. Os pais podem produzir esta ansiedade de diferentes formas, através de sua relação com os filhos, relações instáveis que causam insegurança na criança. Ou seja, a ansiedade não surge de fatores biológicos inatos, mas da relação social, ambiental.
Horney enfatizou que a força impulsora predominante na psique humana é a que busca a segurança e a liberdade do medo e da ameaça que ronda a criança. Ela concordava com Freud na importância da infância para a constituição psíquica, mas esta constituição é dada socialmente e não através de instintos universais biológicos.
A personalidade humana, formada através da busca de segurança e liberdade, lutando contra a ansiedade básica cria o que a autora chamou de necessidades neuróticas, ou seja, necessidade de afeição, aprovação, prestígio, realização pessoal, perfeição e independência. Estas necessidades podem ter três direções: em direção às pessoas (afeição), de afastamento das pessoas (independência) e contra as pessoas (necessidade de poder).
Horney acreditava que os conflitos básicos na neurose não eram biológicos nem inevitáveis, mas advinham de situações sociais específicas e indesejáveis da infância e que podiam ser evitadas se a família procurasse dar à criança compreensão, segurança, amor e generosidade.
Perto do fim de sua carreira, a autora fez um resumo de suas idéias no livro Neurose e desenvolvimento humano, considerado pelos críticos sua maior obra, que foi publicada em inglês em 1950.
Neste livro, ela realiza uma síntese de suas idéias a respeito da neurose, esclarecendo suas três “soluções” neuróticas para os estreses da vida. A solução expansiva torna-se uma combinação tripartida de narcisismo, perfeccionismo e aproximação vingativa-arrogante à vida. As outras duas “soluções” foram também um refinamento de conceitos prévios: a submissão aos outros e a resignação, ou afastamento dos outros.
Horney foi uma pioneira na disciplina da psiquiatria feminina. Em um artigo intitulado “O problema do masoquismo feminino” ela descreve como as culturas e sociedades ao redor do mundo encorajam as mulheres a serem dependentes dos homens, com relação ao amor, prestígio, saúde, cuidado e proteção. As mulheres sendo relegadas à objetos de charme e beleza, ou seja, as mulheres adquirem valor social apenas através dos filhos e da família.
Independentemente de ser mulher ou homem, a autora considerava que em problemas neuróticos menores os pacientes poderiam ser seus próprios psicanalistas. Ela continuadamente apontou que a auto-consciência era uma parte necessária e importantíssima para as pessoas se tornarem um ser humano melhor, mais forte e mais rico.

Nenhum comentário:
Postar um comentário