Esses dias eu estava trabalhando, e do nada, surge um velhinho com um
jornal nas mãos. Ele chegou até mim, e começou a conversar comigo, na
maior intimidade, como se me conhecesse há anos! Logo pensei: "caramba,
mas quem é?".
Ele ia puxando vários assuntos, como se tivesse o costume de conversar
comigo todos os dias. Falava sobre artistas, pessoas famosas, políticos,
crimes. E sempre dizendo: "você sabia? Li aqui no jornal, dá uma
olhada!"
Enquanto eu folheava o jornal, ele virou-se para mim e me disse que
comprou o jornal, pois seu time havia sido campeão no dia anterior! A
primeira coisa que eu me atentei a ver, foi a data do jornal. Não foi
surpresa pra mim ver que o dia da publicação era antigo, o jornal era da
semana anterior. Nessa hora eu percebi que não custava nada ouvir,
atentamente, o que aquele senhor tinha a dizer.
Com um tom crítico, o velhinho soltava o verbo em todos, falava coisas
preconceituosas, falava mal da cidade, do hotel onde morava. Mas eu estava
ali com ele, vendo onde aquela conversa iria levar. Eu não concordei com
nada do que ele me dizia, porém, será que eu precisava concordar? As
"verdades" que ele dizia em seu discurso, eram dele, eu tenho as minhas.
Eu compreendi o ponto de vista dele, apesar de não concordar. Não há
verdade absoluta, existe a verdade de cada um de nós.
Entretanto, a coisa que mais me chamou a atenção, foi perceber a
necessidade daquele senhor, de alguém para ouví-lo. Parece pouco meus
caros leitores, mas é uma grande caridade você simplesmente ouvir, ouvir
de boa vontade, ouvir não só com os ouvidos, ouvir alguém com sua alma.
Aquele senhor não aparentava ter família, não aparentava ter amigos, e
pela carência apresentada, parecia não ter ninguém.
Não sei exatamente o que leva alguém a envelhecer e ficar sozinho. Mas
penso que eu não gostaria de viver essa sensação! Pensando nisso, eu
procuro sempre que posso, ouvir o que as pessoas tem a dizer. Quantas
vezes, você não dá nada por alguém, e aquela pessoa te dá um dos
conselhos mais sábios que você já ouviu em toda a sua vida?
Independentemente do que vier no decorrer da conversa, se um dia você
tiver um tempo, ouça as pessoas. Quem sabe amanhã, a pessoa que precise
de alguém para conversar, não seja você, não é mesmo?
Cansado de conversar, o velhinho sorriu e disse: "Até a próxima meu amigo!"

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